A atuação de facções criminosas e milícias na exploração irregular de serviços de internet tem se expandido no estado do Rio de Janeiro e já alcança municípios da Região dos Lagos. De acordo com levantamento divulgado pelo jornal Extra, cidades como Cabo Frio, Arraial do Cabo, Armação dos Búzios, Iguaba Grande, Araruama e Saquarema estão entre as áreas onde empresas do setor enfrentam obstáculos para operar, incluindo cobranças ilegais, intimidações e impedimentos de acesso.
As investigações apontam que grupos criminosos passaram a controlar a distribuição do sinal em territórios sob sua influência, impedindo a atuação de operadoras autorizadas na instalação e manutenção de equipamentos. Em alguns casos, os próprios grupos oferecem o serviço por meio de estruturas informais ou utilizam intermediários para operar empresas. Em outras situações, exigem pagamentos de provedores regulares para permitir a continuidade das atividades. Dados reunidos a partir de inquéritos, registros do Disque-Denúncia e relatos de moradores indicam que esse tipo de prática já foi identificado em ao menos 37 dos 92 municípios do estado. Segundo o delegado Pedro Brasil, da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), o domínio territorial exercido por essas organizações é um dos principais entraves ao enfrentamento do problema, que também envolve a comercialização de produtos como gás e carvão nas mesmas áreas.
Além das restrições operacionais, o setor também registra episódios de violência, como ataques a veículos e estruturas de empresas. Apenas nos primeiros meses de 2026, ocorrências desse tipo foram registradas em cidades como Cachoeiras de Macacu, Japeri, Paracambi e Maricá. Dados do Disque-Denúncia mostram aumento nas denúncias relacionadas à oferta clandestina de internet e TV por assinatura, com crescimento superior a 15% entre 2024 e 2025. Diante do cenário, o governo estadual apresentou ao Supremo Tribunal Federal um plano de reocupação territorial no âmbito da ADPF 635, que prevê ações em áreas dominadas pelo crime organizado e propõe alternativas como a distribuição de internet via rádio. Enquanto isso, as forças de segurança afirmam intensificar ações de inteligência, e representantes do setor de telecomunicações alertam para os impactos na qualidade dos serviços e na segurança das equipes técnicas.
